O RESGATE DO IMPERIALISMO NA INTERPRETAÇÃO DAS TENSÕES DE TERRITORIALIDADES E A REFUNDAÇÃO DO ESTADO NA AMÉRICA LATINA

Marcos César Araujo Carvalho
Rodrigo Pina
Marcus Vinícius Castro Faria

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Resumo 
A produção teórica sobre o imperialismo quase sempre foi marginalizada e passou por avanços e retrocessos nos ambitos acadêmico e político. Nos últimos anos tomou corpo o debate acerca da validade da categoria imperialismo para a interpretação das questões  de natureza geopolítica/geoeconômica na América Latina. Vivemos em tempos e terrenos re-imperializados e marcados não somente pela colonialidade, mas igualmente por uma imperialidade do poder, onde o sentido do mundo se define a partir de uma certa razão imperial, nos termos de David Slater e Heriberto Cairo. O recrudescimento das ações imperialistas no contexto da crise do capitalismo possibilitou o retorno do imperialismo para o debate crítico na América Latina, assim como a diversificação das ações e manifestações anti-imperialistas em diferentes escalas. A territorialidade do Estado é confrontada com uma miríade de territorialidades subalternas que emergem a cena política e passam a exigir direitos. Com um repertório amplo e difuso de dominação, a imperialidade hegemônica incita diferentes tensões de territorialidades, tanto no plano teórico, quanto no plano prático e no inter/intra-estatal. No contexto das relações de dominação/resistência na América Latina, ocorreram na Bolívia alguns impasses e tensões envolvendo empresas transnacionais brasileiras. O imperialismo brasileiro (ZIBECHI, 2012) tem como um de seus vetores de dominação a associação do Estado com empresas públicas e privadas que atuam em diversos setores da economia, desencadeadoras de tensões interestatais.
Palavras-chave: Imperialismo; Anti-Imperialismo; América Latina; Territorialidades; Refundação do Estado. 

Abstract
The theoretical discussion on imperialism was often marginalized and left advances and setbacks in the academic and political spheres. In recent years the debate on the validity of imperialism category for the interpretation of geopolitical / geoeconomic considerations in Latin America took shape. We live in times and lands controlled by empires and marked not only by colonialism, but also by an imperial power, where the sense of the world is defined from a certain imperial reason, according to David Slater and Heriberto Cairo. The resurgence of imperialist actions in context of the capitalism crisis made possible the return of imperialism to the critical debate in Latin America, as well as the diversification of actions and anti-imperialist demonstrations in different scales. The state territoriality is faced with a myriad of subaltern territorialities emerging from political scene and start to demand rights. The hegemonic imperiality encourages different strains of territoriality with their broad and diffuse repertoire of domination, both at the theoretical, practical and inter / intrastate level. In relations of domination / resistance in Latin America, some deadlocks and tensions involving Brazilian transnational corporations occurred in Bolivia. The Brazilian imperialism (ZIBECHI, 2012) has as one of its domination vectors, the state association with public and private companies that operates in various sectors of the economy, triggering interstate tensions.
Keywords: Imperialism; Anti-Imperialism; Latin America; Territorialities; Refoundation of State.

CARVALHO, Marcos César Araujo; PINA, Rodrigo; FARIA, Marcus Vinícius Castro. O resgate do Imperialismo na interpretação das tensões de territorialidades e a refundação do Estado na América Latina. Meridiano - Revista de Geografía, Buenos Aires: Centro de Estudios Alexander von Humboldt, n. 3, p. 93-112, 2014. Disponible en: <http://www.revistameridiano.org/n3/07/>.

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O resgate do Imperialismo na interpretação das tensões de territorialidades e a refundação do Estado na América Latina por CARVALHO, Marcos César Araujo; PINA, Rodrigo e FARIA, Marcus Vinícius Castro se encuentra bajo una Licencia Creative Commons Atribución-NoComercial-CompartirIgual 3.0 Unported.
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Meridiano Revista de Geografía,
4 dic. 2014 7:03